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Mapas táteis reforçam acessibilidade no Novo Quebra-Mar de Santos

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Representações táteis dos jardins, da areia e do mar, reproduções em três dimensões de prédios e equipamentos esportivos e até uma miniatura da escultura da artista plástica Tomie Ohtake, com suas curvas e ondulações. Esses são alguns dos recursos dos 14 mapas táteis instalados no Parque Roberto Mário Santini, o Novo Quebra-Mar, na Praia do José Menino.

Com escrita em braile e QR Codes que dão acesso a conteúdos com audiodescrição e interpretação em Libras (Língua Brasileira de Sinais), os equipamentos ampliam a autonomia e auxiliam principalmente pessoas com deficiência visual a compreender a distribuição dos espaços e das atrações do parque.

A iniciativa integra um projeto-piloto da Prefeitura. Os mapas estão instalados sobre bases acessíveis a pessoas em cadeiras de rodas. 

O projeto será complementado com a instalação de piso tátil em todo o parque. A rota acessível interligará os 14 mapas e percorrerá toda a área do Novo Quebra-Mar, com  previsão de conclusão de todo o projeto ainda em setembro.

O projeto de acessibilidade foi desenvolvido para integrar recursos físicos, táteis, visuais e de comunicação, segundo o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Wagner Ramos, arquiteto que participou da elaboração da proposta.

“O objetivo é proporcionar aos visitantes orientação e compreensão do espaço público, indo além do atendimento às exigências normativas e promovendo efetivamente a inclusão”, afirmou Ramos.

O projeto considera critérios e parâmetros da ABNT NBR 9050, norma que estabelece requisitos de acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.

A proposta reuniu diferentes perspectivas para ampliar a percepção e a compreensão do espaço urbano, especialmente por pessoas que utilizam o tato e outros recursos sensoriais para se orientar.

Localizado no acesso principal do Novo Quebra-Mar, o primeiro mapa tátil representa o parque em sua totalidade. Os demais detalham diferentes trechos e equipamentos: Praça das Gerações; pista de patinação e Administração; quadra de basquete; parque infantil; Escola de Surfe; fonte interativa; pista de pump track; Roda de Capoeira e Museu do Surf; Centro de Treinamento; pista de skate; arquibancada do surfe; sanitários; e a área do mirante, da escultura de Tomie Ohtake e do heliponto.

As peças também identificam elementos encontrados ao longo do percurso, como bebedouro, grama, areia, encosta de pedra, piso emborrachado, grelha, jato de água, alambrado, guarda-corpo, mesas, assentos, áreas de risco, travessias em nível, sinalização tátil e o mar.

Todos os mapas possuem legendas com a identificação dos equipamentos e das diferentes texturas em texto em alto-relevo e braile. Os QR Codes direcionam para conteúdos com audiodescrição e interpretação em Libras.

Por se tratar de um projeto-piloto destinado a um dos principais espaços públicos de lazer e turismo, a proposta buscou ampliar o conceito tradicional de mapas táteis, explicou a arquiteta Daniella Yamana, que integrou a equipe de desenvolvimento ao lado da arquiteta Tainah Perrotta.

“O objetivo foi proporcionar uma experiência mais rica e imersiva, incorporando às informações gráficas e textuais representações tridimensionais dos principais elementos arquitetônicos, paisagísticos e monumentais”, explicou Daniella.

A iniciativa teve como referências experiências de acessibilidade cultural e turística, entre elas a maquete tátil do Memorial da América Latina e o projeto Visões Sonoras da Cidade, desenvolvido pela Prefeitura do Recife, além de recursos multissensoriais de museus no Brasil e no exterior.

Devido ao caráter inovador e à complexidade técnica da proposta, foram produzidos protótipos antes do projeto definitivo. “Foi importante porque não há diretrizes específicas nas normas técnicas brasileiras para todos os aspectos envolvidos na elaboração e implantação de mapas táteis em espaços públicos”, explicou Daniella.

Os protótipos foram avaliados por alunos e representantes do Lar das Moças Cegas. As contribuições foram incorporadas ao projeto executivo e poderão servir de referência para futuras intervenções.

O desenvolvimento inicial teve acompanhamento da Comissão Permanente de Acessibilidade (CPA) da Prefeitura e a cooperação do educador Vinicius Ladivez, da Fábrica de Cultura.

Técnicos e alunos do Ateliê Maker da Fábrica de Cultura também participaram do desenvolvimento dos primeiros protótipos, auxiliando na análise dos materiais, especialmente quanto à percepção tátil e à durabilidade.

Também participaram o Conselho Municipal dos Direitos das Pessoas com Deficiência (Condefi), a Secretaria de Comunicação e Economia Criativa (Secom) e a Secretaria da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos (Semulher).

A Secom ficou responsável pela captação e edição dos materiais audiovisuais, publicação dos conteúdos em plataforma digital e disponibilização dos 14 QR Codes dos mapas. Já a Semulher cedeu intérpretes da Central de Libras para a gravação dos vídeos.