Desfile de carnaval carro amarelo
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Primeira noite de desfiles em Santos aborda temas diversos e empolga público na passarela do samba

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Da imensidão das ‘brasilidades’ à força feminina, passando pelo encanto, ancestralidade, magia e fantasia. As escolas de samba levaram muito brilho e cor ao primeiro desfile do carnaval santista de 2026, na noite desta sexta-feira (6). Entraram na Passarela do Samba Dráuzio da Cruz (Castelo) três escolas do Grupo de Acesso: Brasil, Império da Vila e Bandeirantes do Saboó; e quatro do Grupo Especial: União Imperial, Real Mocidade, Vila Mathias e Mocidade Independência.

Na noite deste sábado (7), os portões da Passarela do Samba ambrem às 18h, com início do desfile às 20h. A programação inclui primeiramente quatro agremiações do Acesso: Imperatriz Alvinegra, Dragões do Castelo, Zona Noroeste e Sangue Jovem. Na sequência, mais quatro do Especial: Padre Paulo, Amazonense, X-9 e Unidos dos Morros.

A passagem da Corte Carnavalesca marcou oficialmente o início do carnaval na Cidade, transformando a noite em um espetáculo de cores, música e celebração popular.

Com brilho, samba no pé e a energia contagiante que é marca da festa, o Rei Momo Fábio Rocha Baptista, conhecido como Fábio Sorriso, a Rainha Lumara Sampaio Afonso, a Princesa Juliana da Silva Gonçalves, o Cidadão Samba Francisco Ignácio Baliza e a Cidadã Samba Conceição Simões Lotério desfilaram sob aplausos do público, anunciando o mergulho no clima da folia.

O momento simbólico reuniu tradição e alegria, dando o tom de um carnaval que promete movimentar o sambódromo Dráuzio da Cruz (Castelo) na noite deste sábado (7), ruas e corações ao longo dos próximos dias em outros pontos da Cidade.

Abrindo os desfiles, a escola Brasil foi a primeira a desfilar pelo Grupo de Acesso na noite desta sexta-feira (6). A ‘Campeoníssima’ levou para a avenida mais do que espetáculo, foi uma celebração vibrante da identidade nacional. Com o enredo ‘Hoje é dia de Brasilidades’, a verde, amarela, azul e branca transformou o samba em narrativa e convidou o público a percorrer um país de dimensões continentais, onde cores, ritmos, sabores e histórias se entrelaçam. Das feiras livres ao axé das mães do samba, cada ala traduziu o orgulho de ser brasileiro e a força de uma cultura construída na diversidade.

Com cerca de 500 componentes em 14 alas e um carro alegórico, a Brasil emocionou ao exaltar a ancestralidade, a ginga da capoeira, o artesanato de cores vivas, o sincretismo religioso que une Oxalá e o Redentor, e o legado de nomes que moldaram a arte brasileira, como Machado de Assis, Clarice Lispector, Tom Jobim, Cartola e Gonzaga. Entre referências à arquitetura de Oscar Niemeyer e à musicalidade que atravessa gerações, a escola mostrou que o Brasil vira poesia quando o povo transforma luta em alegria.

Com o enredo ‘Maria Faces Da Mulher, "A Força Feminina Que Une O Céu E A Terra Eis A Rainha De Todas As Eras", Laroye!’, a escola Império da Vila entrou na Avenida com 700 componentes em 12 alas. Com a força das Marias, a escola entoou uma ode às mulheres.

Do abraço de uma mãe até a fé, o enredo fez a ‘ponte entre o visível e o além’ através da figura feminina. Os carros alegóricos apresentaram imagens simbólicas exaltando o sincretismo religioso. O figurino foi marcado por cores intensas que passaram representando o passado, futuro e presente da vida, transformando a ‘Maria’ em arquétipo universal da mulher.

A Bandeirantes do Saboó mostrou os icônicos personagens de Alice no País das Maravilhas para sambar na passarela, em 10 alas com 350 componentes. O enredo "Alice no Carnaval das Maravilhas - Loucura é não sambar" também fez alusão aos 30 anos da escola, completados neste ano.

Personagens como a rainha de copas, o gato de Cheshire e a própria Alice foram representados com adaptações para trazer o ritmo delirante da obra de Lewis Carroll para a realidade da festa de Momo, como no caso do Ritmista Maluco, mestre de bateria que entrou no lugar do chapeleiro do original.

A primeira escola a desfilar pelo Grupo Especial embalou o grande público que lotou as arquibancadas ao som do refrão ‘Meu nome é União Imperial, o voo da águia, a chave da vida! O samba se renova em ritual, cinquenta anos de amor na avenida! Celebrando 50 anos de história, a escola conhecida como a Águia do Marapé levou para a avenida um desfile de forte carga simbólica e espiritual ao apresentar o enredo A Consagração em Orixá: Renascer em ‘União’ é a Chave da Vida.

A agremiação apostou em um desfile vibrante e envolvente, composto por 11 alas, um quadripé, três carros alegóricos e cerca de 1.500 componentes que atravessaram a avenida com um canto forte da comunidade, fantasias ricas em cores, símbolos e referências às religiões de matriz africana. Teve como destaque à frente da bateria a atriz Viviane Araújo e a dançarina Sheila Mello. Cada ala ajudou a construir a narrativa do enredo, reforçando a ideia de renascimento por meio da união e da fé.

Celebrando a cultura caiçara, a real mocidade entrou na avenida brindando as belezas da Cidade de Santos, com o enredo "Santos 480 Anos: 'Mundaréu' do Povo, Cultura em Revolução’’. A escola que leva as cores azul, verde e branco abrilhantou a passarela com 1.400 componentes.

Com a frase ‘Bailando nessa festa popular’ sendo entoada pelos participantes, a escola abriu o desfile que passou pelos principais e mais emblemáticos pontos, fazendo alusão à Padroeira da Cidade, Nossa Senhora do Monte Serrat, e aos craques do Santos Futebol Clube, além de mostrar o Município como território fértil da criação.

A Vila Mathias levou uma verdadeira “festa de terreiro” para a passarela. A ancestralidade e a luta contra a escravidão deram o tom do enredo que homenageou Pai Felipe. Conhecido como Rei Batuqueiro, o "negro herói da resistência", como cantado no enredo, fundou o quilombo que leva o seu nome no bairro da agremiação e foi representado pelos mil componentes da escola em 10 alas.

A coroa do rei africano esteve presente, representada em um dos três carros alegóricos da agremiação, que preencheu a avenida com o branco, amarelo e azul do pavilhão. Mais do que símbolo abolicionista, o legado de Pai Felipe para o samba também deu o tom do enredo “Rei Batuqueiro — O Som que Ecoa do Quilombo ao Carnaval”.

A magia e o encanto tomaram conta da avenida quando a última escola do dia começou a se apresentar. A Mocidade Independência entrou na passarela Dráuzio da Cruz já na madrugada do sábado (7) e transformou o silêncio em festa para o público que ainda lotava as arquibancadas. Com o enredo ‘No Reino das Fábulas… Era uma vez, o Encanto’, a escola levou o público a uma viagem sensível e imaginativa, guiada pelo Grilo Falante, mestre do tempo e das histórias, símbolo maior da agremiação. Vestido de fraque e cartola, o personagem interpretado por uma criança abriu o livro da imaginação e conduziu um desfile onde fantasia e alegria caminharam juntos, embalados por um samba envolvente.

Os cerca de 1.500 componentes, distribuídos em 12 alas e três carros alegóricos, ao longo do cortejo apresentaram alegorias e fantasias que deram vida a fábulas clássicas e inéditas, mostrando que essas histórias, mais do que contos infantis, carregam lições universais. A Independência, que completa 50 anos, nas suas cores vermelho, branco e dourado, encerrou a noite com emoção, beleza, muita alegria e a certeza de que o Reino das Fábulas segue vivo no coração do povo, buscando alcançar o título inédito no Grupo Especial.

Quem prestigiou a festa pôde também exercitar a solidariedade consumindo alimentos e bebidas em uma das nove entidades ligadas ao Fundo Social de Solidariedade que foram sorteadas  para estar na avenida.

Para Rui Lopes, o vice-presidente do Núcleo de Reabilitação de Deficiência Intelectual São Vicente de Paulo (Nurex), entidade que atende 120 crianças com paralisia cerebral e autismo, a expectativa é de um grande carnaval. “A gente vai fazer um trabalho maravilhoso para trazer uma melhoria financeira para a nossa entidade”.

Já Laurindo Tasso, diretor financeiro da Cruzada das Senhoras Católicas, afirma que a renda deve ajudar na alimentação e na compra de material pedagógico para as 216 crianças atendidas. “Tudo isso vai dando um volume para que a gente consiga dar um maior desconforto para as crianças”.

 

Para garantir a segurança do público na passarela, a Guarda Civil Municipal (GCM) atua em apoio à Polícia Militar (PM) com contingente de 110 agentes por noite. A segurança no entorno é feita pela PM. O esquema conta também com o apoio do monitoramento por câmeras ligadas ao CCO.

A Secretaria de Saúde (SMS) atua com 17 profissionais por noite. A frota da SMS tem quatro motolâncias, uma ambulância de suporte avançado, duas ambulâncias de suporte intermediário e duas de suporte básico.

Além disso, a Passarela conta com uma sala de acolhimento voltada ao atendimento de mulheres em situação de vulnerabilidade e violência (https://www.santos.sp.gov.br/?q=noticia/carnaval-santista-tera-iniciativas-de-prevencao-contra-a-violencia).

Após a passagem de cadas escola, equipes da Terra Santos, supervisionadas pela Secretaria de Governo (Segov) realizaram a limpeza da avenida.