Casa da Frontaria Azulejada

Uma das mais significativas obras arquitetônicas de Santos, a Casa da Frontaria Azulejada foi construída em 1865 para residência e armazém do comendador português Manoel Joaquim Ferreira Netto (1808-1868).

Desde 2007, o prédio funciona como espaço cultural, onde são realizadas exposições, eventos beneficentes e espetáculos culturais. Além disso, serve frequentemente como locação para filmagens de propagandas, novelas, minisséries e filmes de curta e longa metragens.

Azulejos

Sete mil azulejos em alto-relevo, importados de Portugal, revestem a fachada do prédio, de influência neoclássica, característica do Segundo Império. Mais do que uma questão estética, a colocação de azulejos, naquele tempo, tinha como objetivo assegurar vedação eficiente e evitar muitas pinturas.

Construção

A porta principal, bastante larga, permitia o acesso de carruagens ao interior do imóvel. O andar superior abrigava, originalmente, a residência da família. Construído com pedras, óleo de baleia, saibro, pisos e forros de madeira, o prédio foi concebido em forma de “U”, com abertura voltada para o mar, o que facilitava o processo de carga e descarga das mercadorias desembarcadas nos antigos trapiches. Com o aterramento da parte posterior da casa para a construção dos primeiros armazéns do cais, em 1892, abertura da Rua Tuiuty e novas edificações, esse acesso para cargas deixou de existir.

Outras atividades

Com a morte de Ferreira Netto, em 1868, a casa passou por mudanças funcionais. Durante muitos anos, funcionou no térreo um armazém e, no andar superior, um escritório de café. Já entre 1940 e 1960, o sobrado foi transformado no Hotel Guanabara e depois, em um depósito de adubos químicos, o que degradou bastante a construção, sobretudo internamente. Em 1973, o prédio foi tombado pelo Iphan (nível federal). Em 1987 e 1990, vieram também os tombamentos pelo Condephaat (estado) e Condepasa (município), respectivamente.

Restauro

Em 1986, quando foi desapropriada pela Prefeitura, a casa estava semidestruída, sem o teto e o piso superior. A recuperação da fachada aconteceu em 1992, com a devolução da estrutura original da porta principal e dos azulejos, restaurados ou reproduzidos. Realizado pelo artista plástico Luís Sarasá, o trabalho constituiu tarefa artesanal, cujo resultado contabilizou sete mil peças novas.

 
Desde dezembro de 2007, o sobrado abriga o Espaço Cultural Frontaria Azulejada, idealizado para receber atividades culturais e apresentações musicais de caráter intimista. Ele também pode ser alugado para eventos e já abrigou  festas de lançamento de produções da Rede Globo.